Natal da família - Vento no Rosto

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Palavras ao vento

Vento no Rosto

Natal da família

Era uma bagunça familiar. Essa foi a definição dada por uma de minhas tias sobre o Natal na época em que meus avós eram vivos. Isso porque vinham os parentes de ambos os lados.

Eram muitos tios. Porque eram muitos irmãos! Rogério Prendes Hévia, Marida de Lourdes Prendes, Dulce Prendes, Arnaldo Prendes e Ondina Prendes eram os irmãos do meu avô, Oswaldo Prendes. Sidney de Souza, Semírames de Souza (a tia Chuchuta), Maria Luiza de Souza (a Tita), Armando de Souza e Arnaldo de Souza (o Bolinha), eram os irmãos da minha avó Ottília de Souza, a primogênita, mais tarde, Prendes.

Naquela época não havia rosbife da Didi, bacalhau do tio João ou pernil do tio Higa. A mousse de chocolate da tia Maria e o pavê de doce de leite da tia Silvia também não eram ainda conhecidos. Mas havia fartura na mesa porque, como hoje, todos partilhavam o que tinham.

Não havia amigo secreto. Quem dirá internet para sortear os papéis! Também não havia Youtube para colocar clipes. Ah, mas havia música! E como gostavam de uma cantoria!

A cantoria do Natal

O tio Rogério contou que meu avô queria ter uma família de artista. Era festeiro. Incentivou todos os filhos a estudar música. Nas noites de Natal, o acompanhamento ficava a cargo de minha mãe, que tocava violão. Maria Bethânia os inspirava.

Serenô, eu caio, eu caio

Serenô, deixai cair

Serenô da madrugada

Não deixou, meu bem, dormir…

Silvio Caldas também participava do Natal nos dedos ágeis da Didi, que dançavam nas cordas do violão…

Tu não te lembras da casinha pequenina

Onde o nosso amor nasceu?

Tu não te lembras da casinha pequenina

Onde o nosso amor nasceu?

Tinha um coqueiro do lado

Que coitado de saudade

Já morreu.

E a inesquecível Marvada Pinga, conhecida por muitos na voz de Inezita Barroso, e por nós da Família Prendes na voz da Didi, que até hoje sabe a letra de cor! Era, realmente, uma noite de festa! A tecnologia não fazia a menor falta. E meu avô pouco se importava com sua voz desafinada. Ele acompanhava cada canção.

Todo mundo ganhava presente. Pentes, perfuminhos, alicates, estojinhos, canetas, enfim, lembrancinhas para marcar aquele momento de união que ocorria todos os anos no aniversário de Jesus. Aliás, Jesus sempre esteve presente naquela casa. O domingo, inclusive, era sagrado. Meu avô passava nos quartos dos filhos cantando Noel Rosa…

(Clique aqui para ouvir a música e matar a saudade)

O dia vem chegando

Vou rezar minha oração

A igreja é a floresta

E o sino é o violão

Por que você me nega

A esmola de um olhar

O sol nasceu pra todos

Também quero aproveitar

Voltando ao Natal…

Além de música, a festa de Natal também incluía brincadeira. Música com gesticulação. Você conhece a Tuca? Balança uma perna, as duas pernas, um braço, o outro, a cabeça, dá uma voltinha e uuuuuuu… como os índios. Era muito divertido!

São tantas lembranças…

A noite do dia 24 de dezembro era na casa da vó Sebastiana Deiróz, a mãe de minha avó Ottilia. Mas antes de sair de casa, os cinco filhos – Anna Lucia Prendes (a Didi), que depois tornou-se Amyuni, Oswaldo Luiz Prendes, Célia Marisa Prendes, Sandra Maria Prendes, que mais tarde tornou-se Higa, e Luiz Rogério Prendes, que permanece até hoje sendo um Prendes com tudo a que o sobrenome lhe dá direito! – se reuniam e faziam um ninho com jornal para o Papai Noel deixar os presentes. Ficava perto da cama.

Quando voltavam para casa, os mais novos ficavam intrigados. Como o Papai Noel tinha conseguido entrar? Essa história nunca foi revelada.

A presença do Papai Noel

Já vem de tempos a tradição de receber a visita do Papai Noel no Natal da Família Prendes. O bom velhinho nunca esqueceu os lares tão amorosos onde todos faziam questão de estar reunidos.

Agora imagine só: o Papai Noel daquela época tinha olhos azuis! E era sarrista. A criançada toda desconfiava e enchia o saco dele. Embora esvaziasse. E a festa, que se repetia anualmente, ficou guardada nos corações da Família, que hoje replica seus doces momentos com sorrisos, comida farta, amor, fé e união.

2 respostas para “Natal da família”

  1. Eu trabalhei na casa da dona Otília…tinha 11 anos de idade …lembro de todos, gostaria de saber mais por favor… entre em contato por favor

    @margaridaarcebispo : meu Instagram

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