Nhoque de mandioquinha - a beleza está na paciência

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A beleza está na paciência – nhoque de mandioquinha

O nhoque de mandioquinha é a receita 8 do projeto “O que tem na geladeira”. Eu queria preparar uma refeição diferente naquele sábado, que encerrava uma semana importante, de fechamento de ciclos.

Esse, aliás, seria o título deste artigo, não fosse a grande lição aprendida durante o preparo da receita. Um ensinamento que fez todo o sentido, não só para a elaboração do nhoque de mandioquinha, mas também para os ciclos que, depois de dois anos, estavam se encerrando naquela semana.

Foi assim…

O André tinha me pedido para fazer aquela geleia de tomate com pimenta aprendida outro dia, lembra? Decidi começar por ela antes de partir para o nhoque. Então fizemos uma pausa para um café com bolo e fui para o almoço.

sobrecoxa-rita-loboComo o nhoque de mandioquinha é ao molho de manteiga e sálvia, decidi fazer uma proteína para acompanhar. Escolhi uma sobrecoxa agridoce, feita com manteiga de maçã e caldo de laranja. Divina! Tudo receita dela. ❤️ Comecei o preparo pelo frango, que levaria um tempão no forno.

Quando chegou a vez do nhoque, eu já estava cansada. Em pé havia bastante tempo, comecei a sentir dor na lombar. Descasquei as mandioquinhas e sentei um pouco enquanto elas cozinhavam. Até foi o suficiente para recuperar o corpo, mas não a paciência.

Preparei aquele mundaréu de massa e nada de ficar no ponto de enrolar. Eu já estava a ponto de deixar essa receita pra lá, quando o André sugeriu: vamos pegar com duas colheres, fazer as bolinhas e jogar na água.

Naquele momento, um tanto quanto irritada com a receita (desculpa, Rita), comecei a jogar as bolinhas na água sem nenhum cuidado. Era muita massa! Levaríamos horas para concluir aquele almoço!

Foi quando o Dex me chamou na sala, me colocou de frente para um quadro que ele havia desenhado há uns dois anos, e falou: “você se lembra quanto tempo eu levei para fazer esse desenho? Como os traços têm que ser precisos e ao mesmo tempo leves? Então, Su, a beleza está na paciência!”, disse ele.

quadro-piano-e-celloComecei a pensar em todos os motivos que tinham me levado a escolher a receita do nhoque. E todos eles exigiram paciência. Aquilo fez todo o sentido para mim. Dex e eu nos abraçamos e voltamos para a massa do nhoque.

O resultado

O nhoque de mandioquinha com molho de manteiga e sálvia ficou bem interessante. O meu palpite é que foi devido à manteiga, que era Président, e à sálvia, que era da horta.

O Dex gostou, mas na verdade, ele sempre gostou de nhoque. E, pra variar, fez fotos lindas que você pode conferir no fim do texto. Nem dá pra perceber que as minhas bolinhas de nhoque ficaram feias! hehe

A receita foi tão farta que, mais uma vez, pudemos dividir com as vizinhas e ainda congelar. Na verdade, congelamos só a massa, então ainda podemos variar o molho a cada porção que descongelarmos.

A Tata, uma das minhas vizinhas queridas (somos sortudos com isso aqui no prédio), disse que deu para sentir bem o gosto da mandioquinha e que ela e a Gabi amaram. Tô aqui pensando… será que ela diria se não tivessem gostado? 😬

 

Fechando ciclos

Fazia mais de dois anos que eu estava envolvida com aqueles dois projetos. Um era profissional e o outro faz parte do meu hobby: tocar piano. Comecemos pelo outro.

Lembro-me em detalhes do dia em que a minha professora de piano, Rosana Cardoso, chegou com aquela partitura nas mãos. Foi uma alegria! Sempre gostei de Chopin, parece que o piano ganha um novo som quando suas músicas são executadas. A partitura que ela tinha em mãos era de Grande Valse Brillante (Op. 18), original. Nem acreditei!

A última música que eu havia tirado dele foi Nocturne (Op.9) simplificada. Então, enfrentar uma música original, com todas as dificuldades dela (e com as minhas) era uma glória. E entre altos e baixos, entre idas e vindas, foram dois anos em cima dessa partitura.

Naquela semana eu tinha terminado a leitura da décima página! Sim, a música tem 10 páginas e muitos ritornellos. Eu mal podia acreditar! Contudo, ainda falta muito pra ficar boa, mas ela está inteira lida, inteira estudada, inteira tirada!

Coincidência?

Eu não sei. Dizem que não existe coincidência. Mas aquela também foi a semana em que eu entreguei para a diagramadora o último conteúdo do livro que estou escrevendo. O processo começou em fevereiro de 2019. No total, foram 194 entrevistas realizadas e biografias escritas.

Além disso, mais três capítulos completaram a obra, que deveria ter 250 páginas. Mas as mudanças decorrentes da pandemia e os acréscimos ao longo do projeto foram tantos, que o livro deve ficar com pelo menos 100 páginas a mais do que era previsto. Mas não importa. O importante é que está concluído.

Na verdade, não totalmente. Ainda tenho que mediar a finalização do material, que vai ocorrer entre a diagramadora e a Comissão do Livro. Mas a produção de conteúdo sim, essa já acabou! Dois anos depois, ufa! Merecia um almoço especial, não?

E curioso é que a frase que o André me disse fazia sentido tanto para a música do Chopin, quanto paro o livro. Aliás, da mesma forma como faz para a recuperação de uma dor, para o emagrecimento, para um projeto que queremos realizar… tudo, para ficar bom, para ficar belo, para ficar pronto exige tempo e paciência.

Não só para enfrentar os processos em si, mas para levá-los paralelamente a tudo o que acontece em nossas vidas. E ainda fazê-los ficar belos. Quer dizer, a música ainda vai levar um tempo pra ficar bonita. Qualquer hora crio coragem e mostro pra vocês.

Por ora sigo cozinhando, caminhando e tocando e seguindo a canção.

 

6 respostas para “A beleza está na paciência – nhoque de mandioquinha”

  1. Adorei o seu texto para variar. E quanto mais conheço o DEX mais eu gosto dele. Ele conhece você muito bem e sabe lidar com você com muito amor, muita doçura e muita objetividade. E sua ficha cai imediatamente, Ponto para você também que é muito sensível, sensata e inteligente. E se expressa tão bem que ele sentiu a sua impaciência. Uma pequena correção no seu texto: a primeira vez que você escreveu manteiga, saiu mantega. Beijos doces. Saudades muitas. Dos dois.

    • Madrinha, sou realmente privilegiada por tê-lo ao meu lado. O Dex é exatamente assim como você falou! 😊
      Muito obrigada pelo apontamento, vou trocar a manteiga, mas manter a marca francesa, tá? rs. Beijos doces, litros de saudades! ❤️

  2. Respondendo ao questionamento: nossos elogios são sinceros e cheios de carinho, em agradecimento a partilha desse projeto tão legal e desafiador. 🙂
    Como vemos que você está envolvida de corpo e alma nessa empreitada, acreditamos que um feedback honesto é sempre enriquecedor. Então, se tivermos alguma (muy humilde) sugestão, tentaremos apontar com delicadeza e cuidado. Maaaaas, duvidamos muito que isso irá acontecer, visto que seu amor e dedicação transparecem como gostosura em todas as receitas. =)

    Beijos!

    Ps. A geléia também está incrível!

    • Mai gente, e não é que além de tudo vocês são habilidosas com as palavras também?! Esse comentário transborda amor e requinte. Fico realmente feliz que estejam gostando de participar desse projeto. Olha que vocês entrarão para o livro, hein?! rs Beijos, com doçura e afeto!

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